A Verdadeira Prova da Fé: A Palavra de Deus ou Doutrinas de Homens?

Introdução: Ancorados na Palavra em Meio às Tempestades dos Últimos Dias

Em meio às tempestades finais e turbulentas da Terra, uma única e primordial questão confronta os Adventistas do Sétimo Dia: Qual é a nossa fonte última de verdade e autoridade? Da resposta depende não meramente a preferência teológica, mas a sobrevivência espiritual e a integridade da nossa missão. Um perigo subtil, porém profundo, ameaça agora o princípio fundamental da nossa fé: a elevação de declarações construídas por homens — mesmo resumos sinceramente intencionados como as 28 Crenças Fundamentais — a uma posição que rivaliza ou funcionalmente suplanta a própria Bíblia. Elaborados em linguagem humana falível, esses resumos carecem inerentemente da inspiração divina e da autoridade suprema que pertencem unicamente à Escritura Sagrada. Quando são transformados em testes vinculativos de fé, uma linha crítica é cruzada — um passo para longe do desígnio de Deus e perigosamente em direção à apostasia.

Portanto, duas verdades vitais devem ser incansavelmente reafirmadas:

A Bíblia é o guia divinamente designado e todo-suficiente de Deus, plenamente adequado sob a bênção do Espírito Santo, para moldar a crença, a experiência e a prática do povo de Deus em todo o mundo.

Em contrapartida, a elevação de qualquer declaração ou credo humano, incluindo as nossas próprias 28 Crenças Fundamentais, para servir como um teste autoritativo de fé ou comunhão, suplantando assim o papel primário da Bíblia, representa um claro desvio do desígnio de Deus e um passo em direção à apostasia.

Esta exploração demonstrará por que a adesão inabalável a estes princípios é essencial para navegar os desafios vindouros e permanecer fiel ao nosso chamado divino.

Parte 1: A Bíblia – O Guia Todo-Suficiente de Deus

O apóstolo Paulo estabelece a pedra angular desta convicção em 2 Timóteo 3:16-17 (KJV):

2 Timóteo 3:16-17 - KJV 16 Toda a Escritura é dada por inspiração de Deus, e é proveitosa para doutrina, para repreensão, para correção, para instrução na justiça: 17 Para que o homem de Deus seja perfeito, perfeitamente preparado para todas as boas obras.

O Alcance da Suficiência da Escritura

Quão “proveitosa” é a Escritura segundo este testemunho divino? O seu valor é comparável a outros bons livros? Paulo proclama uma suficiência inerente muito mais profunda. O “homem de Deus” — representando cada crente, mas destacando especialmente aqueles em liderança cujos papéis abrangem as necessidades da igreja — é tornado “perfeito” (completo) e “perfeitamente preparado” (completamente equipado) pela Escritura. Se a Bíblia provê um equipamento tão abrangente para aqueles com as maiores responsabilidades, ela inegavelmente supre toda a igreja, individual e corporativamente, para cada necessidade espiritual e cada boa obra.

Esta profunda suficiência não nega a necessidade de estudo diligente. Paulo elogiou Timóteo por conhecer as Sagradas Escrituras desde a infância (2 Timóteo 3:15). Um guia perfeito recompensa, na verdade exige, exploração fervorosa; não transmite a sua sabedoria passivamente. A Bíblia revela os seus tesouros divinos através de um envolvimento ativo e em oração: lendo, meditando, comparando escritura com escritura e obedecendo aos seus preceitos. Utilizamos corretamente recursos úteis — ferramentas linguísticas, contexto histórico, os discernimentos partilhados por outros crentes e a orientação que Deus providenciou através dos escritos do Espírito de Profecia, que invariavelmente exaltam a Bíblia e nos conduzem a Cristo.

A questão crucial permanece: Como devem estes auxílios, incluindo os nossos próprios resumos doutrinários, ser empregados? Como intérpretes autoritativos, em pé de igualdade ou acima da Escritura? Deus nos livre! Fazer isso é deslocar o locus da autoridade da Palavra inspirada para a interpretação ou tradição humana. Se alguém argumenta que o julgamento individual é demasiado falível para interpretar a Bíblia diretamente, como pode esse mesmo julgamento ser confiável para interpretar com precisão os intérpretes (comentários, tradições ou mesmo as nossas Crenças Fundamentais)? Isto leva a um impasse lógico inescapável. O claro significado das palavras de Paulo é que os crentes devem utilizar todas as ferramentas disponíveis como servos para entender o texto, reconhecendo sempre que a autoridade última e a evidência mais ponderosa residem na própria Escritura. Guiados pelo Espírito Santo e empregando a sua razão dada por Deus, os crentes interagem diretamente com a Palavra. Ao fazê-lo, declara Paulo, eles acham a Bíblia proveitosa ao ponto de serem completos e perfeitamente preparados para todas as boas obras. Esta é a avaliação do próprio Deus, que não deve ser diluída pela conveniência ou tradição humana.

A Proveitosidade da Escritura em Todas as Dimensões da Fé e da Vida

Paulo destaca quatro áreas chave onde a Escritura demonstra a sua completa suficiência:

"Para Doutrina" (Ensinar a Verdade): Isto abrange toda a amplitude da verdade essencial para a salvação e uma vida piedosa — compreender o caráter e a personalidade de Deus, o grande conflito, o plano da redenção, a vida, morte, ressurreição e ministério sacerdotal de Cristo no santuário celestial, e a Sua segunda vinda, a perpetuidade da lei de Deus incluindo o sábado do sétimo dia, o estado dos mortos, a relação entre lei e graça, profecia, princípios de vida saudável, ordem bíblica da igreja e a nossa comissão de proclamar o evangelho eterno simbolizado pelas Mensagens dos Três Anjos (Apocalipse 14). A Escritura não é meramente um repositório estático; abordada com um coração ensinável, ela funciona dinamicamente através do Espírito Santo para tornar alguém “sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus” (2 Timóteo 3:15).

Por vezes, objeta-se que, se a verdade é una, estudantes sinceros da Bíblia não deveriam divergir. Isto confunde a unidade objetiva da verdade divina com a uniformidade subjetiva da perceção humana. A verdade de Deus é vasta e multifacetada. As mentes humanas são diversas. A uniformidade absoluta de opinião em todos os pontos não é alcançável nem é o desígnio primário de Deus antes da glorificação. Tentar forçar todas as mentes a um único molde interpretativo ignora a individualidade dada por Deus. A unidade que Deus deseja é uma unidade de confiança na Sua Palavra como autoridade última, unidade nas verdades fundamentais essenciais para a salvação e a verdade presente, unidade no amor e unidade na missão — mesmo permitindo diferenças de entendimento em assuntos menos centrais.

Esta unidade, enraizada na Bíblia como o único padrão, tem sido uma marca da experiência Adventista do Sétimo Dia. Eles forjaram uma unidade notável na sua compreensão da Escritura, da qual surgem as suas crenças fundamentais, não através de um credo humano, mas através de um dom divino de orientação. Ellen White escreveu: “*Recomendo-vos, caro leitor, a Palavra de Deus como regra da vossa fé e prática. Por essa Palavra seremos julgados. Deus prometeu, nessa Palavra, dar visões nos ‘últimos dias’; não para uma nova regra de fé, mas para o conforto do Seu povo, e para corrigir aqueles que erram da verdade bíblica*” (Primeiros Escritos, p. 78). Esta orientação ancora a sua unidade unicamente na Bíblia como autoridade última.

As 28 Crenças Fundamentais da igreja representam uma tentativa coletiva de articular doutrinas chave que se alega serem extraídas da Escritura. Como uma reconhecida síntese humana, embora por vezes referenciadas como um resumo útil para delinear uma identidade comum ou foco missionário, elas não possuem autoridade inerente. Devem permanecer sempre estritamente subordinadas à Bíblia, funcionando apenas como declarações descritivas de um entendimento geral dentro da igreja, reconhecidas sempre como sendo formuladas em linguagem humana, e perpetuamente sujeitas a reavaliação e correção pela luz mais clara revelada através do estudo contínuo e em oração da própria Palavra.

"Para Repreensão" (Refutar o Erro): Isto envolve a função vital de identificar, expor e proteger contra falsos ensinamentos (“heresias”). A própria Bíblia é o instrumento ordenado por Deus para discernir a verdade do erro. Onde à Escritura é dado o seu devido lugar e estudada holisticamente, o erro não pode prevalecer em última instância, assim como a escuridão foge perante a luz. A Palavra de Deus possui um poder inerente para expor as falhas nas filosofias humanas e doutrinas falsificadas. O princípio de Sola Scriptura inclui o entendimento de que a Escritura interpreta a Escritura. O método mais seguro para testar qualquer ensinamento é trazê-lo à barra do pleno conselho da Palavra de Deus. Interpretações que conflitam com o testemunho geral da Bíblia definharão sob a sua luz divina. Para manter a pureza doutrinária, Deus declara que a Sua Palavra sozinha torna o crente “perfeito, perfeitamente preparado”. Sugerir que credos humanos são necessários como defesa primária contra o erro questiona implicitamente a adequação da provisão do próprio Deus.

"Para Correção" (Orientar Conduta e Ordem): Isto pertence à aplicação dos princípios de Deus à vida diária, governação da igreja e disciplina restauradora. Toda atitude ou comportamento contrário ao caráter de Cristo e aos padrões bíblicos pode ser identificado, abordado e corrigido usando apenas a Escritura. Se uma “ofensa” percebida não pode ser claramente substanciada por princípios bíblicos, pode muito bem ser uma infração contra regras ou tradições humanamente concebidas, não contra a lei divina. Para estabelecer e manter a ordem piedosa, a Bíblia provê o padrão completo e suficiente.

"Para Instrução na Justiça" (Treinar na Vida Santa): Isto cobre todo o processo de crescimento espiritual e transformação de caráter — nutrir fé, esperança, caridade, paciência, integridade, pureza e piedade prática. Que melhor fundamento para moldar a mente de uma criança do que as puras palavras da Escritura? Que guia mais eficaz para um novo crente ou um santo experiente do que a vida e os ensinamentos de Jesus? A Bíblia fala com profundidade cada vez maior através de todas as idades e estágios da vida. É o meio pelo qual somos enxertados em Cristo, a Palavra Viva (João 15). Este desenvolvimento espiritual vital ocorre através da interação diligente e pessoal com as Escrituras, iluminada pelo Espírito Santo.

Em conclusão, a própria avaliação de Deus da Sua Bíblia é inequívoca: Para ensinar a verdade essencial, refutar o erro perigoso, guiar a vida e a disciplina da igreja, e treinar os crentes na santidade — a Escritura é tão profundamente suficiente que a pessoa fielmente guiada por ela é “perfeita, perfeitamente preparada para todas as boas obras”. Este princípio é o fundamento inegociável do Cristianismo autêntico e a rocha sobre a qual o movimento Adventista do Sétimo Dia deve permanecer.

Parte 2: O Perigo dos Credos Humanos como Testes Autoritativos

Tendo estabelecido a suficiência divinamente ordenada da Bíblia, devemos confrontar o corolário crítico: A elevação de qualquer declaração ou credo humano, incluindo as nossas próprias 28 Crenças Fundamentais, para servir como um teste autoritativo de fé ou comunhão, suplantando assim o papel primário da Bíblia, representa um passo para longe do desígnio de Deus e em direção à apostasia.

Definindo a “Substituição”

O que constitui esta perigosa “substituição”? Não é o mero ato de resumir ensinamentos bíblicos ou publicar uma declaração que delineia o que uma comunidade entende que a Escritura ensina. Articular crenças partilhadas, como tentamos nas 28 Crenças Fundamentais, pode ser útil para clareza e testemunho, desde que estes resumos sejam consistentemente entendidos como descrições subordinadas derivadas da autoridade última, a Bíblia.

A substituição ocorre quando tal documento humano, independentemente da sua precisão geral ou da piedade dos seus formuladores, é funcionalmente transformado num teste exigido. Isto acontece quando a adesão à redação específica da declaração humana — em vez da fidelidade demonstrada aos claros ensinamentos da própria Escritura — se torna o padrão efetivo para membresia na igreja, emprego ou posição ministerial. Esta elevação prática é onde reside o passo em direção à apostasia. Por que esta trajetória é tão perigosa?

I. Contradiz o Testemunho do Espírito Santo

O Espírito Santo afirma através de Paulo que o crente que abraça sinceramente a Bíblia é “perfeito, perfeitamente preparado”. Exigir a aceitação de um credo humano adicional como teste nega implicitamente esta declaração divina. Sugere que a Bíblia sozinha é insuficiente; o crente está de alguma forma incompleto ou desqualificado sem assentir à formulação humana. Perturbadoramente, a nossa igreja, por vezes, tem praticado o julgamento da fé de um indivíduo com base na sua capacidade de afirmar a linguagem precisa da síntese das nossas 28 Crenças Fundamentais, em vez de basear tais julgamentos unicamente na sua harmonia com a própria Bíblia. Isto coloca funcionalmente a declaração humana ao lado, ou mesmo acima, da Palavra inspirada como medida de fidelidade, espelhando o próprio erro da apostasia histórica. Roma não negou Cristo como Mediador; adicionou outros mediadores, diluindo a Sua suficiência única. Similarmente, quando insistimos que a aceitação da “Bíblia e desta declaração credal específica” é necessária, arriscamo-nos a adicionar uma exigência humana à provisão perfeita de Deus.

II. Espelha o Surgimento Subtil de Apostasias Passadas

A história ensina que grandes desvios da verdade bíblica frequentemente começam subtilmente, encobertos em piedade. Práticas como a veneração de santos cresceram de um respeito aparentemente inofensivo por mártires para uma adoração paganizada, frequentemente fomentada por líderes bem-intencionados, alheios às consequências a longo prazo. Teriam recuado perante avisos, considerando-os ataques à piedade. Da mesma forma, impor conformidade através de credos humanos frequentemente começa com boas intenções — preservar a unidade, guardar a verdade. No entanto, este caminho pode subtilmente desviar o foco da Palavra viva para o resumo humano, pavimentando o caminho para a rigidez e a supressão de mais luz. Devemos perguntar honestamente se o nosso uso atual das 28 Crenças Fundamentais, em alguns casos, reflete este padrão perigoso.

III. Reaviva um Mecanismo Central da Apostasia Histórica

Uma característica chave da apostasia romana foi a sua pretensão de ser a única intérprete autoritativa da Escritura, usando tradição e concílios para controlar ou silenciar a voz direta da Bíblia. Este controlo foi largamente estabelecido e mantido através da elaboração de credos. A igreja primitiva não tinha tais testes impostos além da Escritura. Credos autoritativos surgiram mais tarde, frequentemente interligados com o poder político (como visto em Niceia), tornando-se ferramentas para impor conformidade. O princípio estabelecido foi que a autoridade humana podia ditar a interpretação bíblica e excluir dissidentes com base na adesão credal. Embora rejeitemos as pretensões papais, devemos vigilantemente assegurar que não replicamos o princípio subjacente, permitindo que as nossas próprias declarações funcionem como testes vinculativos que se sobrepõem ao estudo bíblico pessoal e guiado pelo Espírito.

IV. Os Argumentos Usados Podem Ecoar Precedentes Problemáticos

Argumentos históricos para credos autoritativos frequentemente centravam-se em impor uniformidade para assegurar “pureza”, com a maioria ou hierarquia definindo a ortodoxia. Hoje, racionais semelhantes por vezes surgem em relação às nossas Crenças Fundamentais: “Precisamos delas para manter a denominação pura”, ou “São essenciais para nos proteger contra o erro”. Embora a coerência doutrinária seja vital, quando o próprio credo, em vez de um compromisso partilhado com a Escritura, se torna o principal instrumento de imposição, ecoamos métodos históricos preocupantes. A pureza denominacional é melhor servida pela adesão rígida a uma síntese humana, ou fomentando uma profunda fidelidade coletiva à Palavra de Deus?

V. A Pressão Prática para a Conformidade

O sistema de exigir subscrição a uma declaração detalhada de crenças pode exercer uma pressão imensa, embora frequentemente subtil, particularmente sobre ministros, educadores e funcionários. O medo — não necessariamente de perseguição aberta, mas de ser considerado “não sólido”, perder oportunidades, enfrentar desaprovação ou dificultar o sucesso institucional — pode sufocar a própria liberdade “com que Cristo nos libertou” (Gálatas 5:1). Isto inclui a liberdade de lutar honestamente com a Escritura, de questionar interpretações e de procurar um entendimento mais profundo, responsável primariamente perante Deus. Criticamente, indivíduos que estão claramente em harmonia com os princípios fundamentais da Escritura não deveriam enfrentar exclusão da comunhão ou demissão simplesmente porque não podem, em sã consciência, afirmar frases ou linguagem específicas dentro das 28 Crenças Fundamentais que percebem como potencialmente não bíblicas ou inadequadamente expressas. A verdade não teme o escrutínio. Portanto, as 28 Crenças Fundamentais, como qualquer credo humano, deveriam estar sempre abertas a questionamento respeitoso e exame à luz da Escritura. O seu papel adequado é o de uma sinopse pública — uma declaração descritiva do que os Adventistas do Sétimo Dia geralmente entendem que a Bíblia ensina — não um instrumento coercivo imposto aos membros ou usado como um teste autoritativo de comunhão. O perigo reside em permitir que qualquer documento humano substitua funcionalmente o processo vivo de descoberta pessoal e convicção através da Bíblia e do Espírito Santo.

3. Distinguindo Autoridade: A Conferência Geral e a Bíblia

Uma conceção errónea comum persiste entre alguns Adventistas do Sétimo Dia, sugerindo que o conselho inspirado concede à Sessão da Conferência Geral autoridade para ditar crenças pessoais ou funcionar como a voz última de Deus em assuntos de fé. Este mal-entendido frequentemente impede uma visão clara da autoridade única da Bíblia. No entanto, o próprio conselho por vezes citado clarifica efetivamente o âmbito específico e limitado da autoridade da Conferência Geral. Considere esta declaração chave:

“*Deus ordenou que os representantes da Sua igreja de todas as partes da Terra, quando reunidos numa Conferência Geral, tenham autoridade. O erro que alguns correm o perigo de cometer é dar… a plena medida de autoridade e influência que Deus investiu na Sua igreja no julgamento e voz da Conferência Geral reunida para planear a prosperidade e o avanço da Sua obra.*” (Testemunhos para a Igreja, Vol. 9, pp. 260-261, ênfase adicionada).

Esta passagem define explicitamente a esfera da autoridade divinamente ordenada da Conferência Geral: é planear a organização prática e o avanço missionário da obra da igreja globalmente. O “erro” especificado é precisamente estender esta autoridade, destinada a coordenar a obra, para o domínio sagrado da fé e consciência pessoal, onde não pertence.

Portanto, a distinção é crítica:

- Para planear a obra e avançar a missão: A Conferência Geral reunida detém autoridade divinamente ordenada.

- Para assuntos de fé, doutrina e convicção pessoal: Deus tem apenas uma voz autoritativa – A Sua Santa Palavra, a Bíblia.

A Conferência Geral facilita a nossa missão coletiva; não dita, e não deve ditar, a fé pessoal. Permitir que qualquer concílio humano defina autoritativamente a crença para a consciência individual é suplantar o papel único da Bíblia e comprometer o fundamento da Sola Scriptura. Isto é distinto da função legítima da igreja de articular declarações públicas (como as 28 Crenças Fundamentais) para descrever o seu entendimento geral da Escritura para o mundo; no entanto, tais resumos humanos nunca devem ser apresentados como tendo autoridade sobre o povo de Deus. A voz de Deus em relação à fé e consciência é perfeita e suficientemente vocalizada na Bíblia, e a Conferência Geral nunca deve usurpar essa autoridade.

De facto, esta distinção é reforçada pelo conselho mais amplo de Ellen White, que eleva claramente a Escritura acima de todas as decisões humanas relativas à fé, assegurando consistência com as suas declarações em Testemunhos, Volume 9:

Mas Deus terá um povo sobre a Terra para manter a Bíblia, e somente a Bíblia, como o padrão de todas as doutrinas e a base de todas as reformas. As opiniões de homens eruditos, as deduções da ciência, os credos ou decisões de concílios eclesiásticos, tão numerosos e discordantes como são as igrejas que representam, a voz da maioria — nem um nem todos estes devem ser considerados como evidência a favor ou contra qualquer ponto de fé religiosa. Antes de aceitar qualquer doutrina ou preceito, devemos exigir um claro ‘Assim diz o Senhor’ em seu apoio.” (O Grande Conflito, página 595, par. 1)

Esta declaração enfática sublinha por que a autoridade da Conferência Geral deve ser cuidadosamente confinada à sua esfera ordenada de planear a obra, deixando os assuntos de fé pessoal e doutrina unicamente sob a jurisdição do “Assim diz o Senhor” encontrado apenas na Bíblia.

A Verdadeira Base da Unidade: Consciência Sujeita à Palavra de Deus

Vozes influentes dentro da igreja, como o Instituto de Pesquisa Adventista (BRI), abordaram a interação entre a consciência individual e a unidade da igreja, afirmando:

"Em tais discussões, as pessoas podem apelar à liberdade religiosa, que cada um é livre para acreditar em qualquer doutrina que escolher. Este argumento, no entanto, interpreta mal o conceito de liberdade religiosa e mostra confusão entre igreja e estado. Uma nação pode conceder liberdade religiosa aos seus cidadãos em reconhecimento de que eles geralmente não têm escolha da sua nacionalidade. A igreja, no entanto, é uma associação livre. Qualquer organização voluntária que abrace ensinamentos, visões ou doutrinas mutuamente contraditórios, arrisca-se a dividir-se e, assim, a minar-se a si mesma. E a liberdade religiosa não exige que a igreja aceite o pluralismo. Aqueles que se juntam à igreja fazem-no porque acreditam na sua mensagem; caso contrário, deveriam sair."

Esta perspetiva, no entanto, arrisca confundir a liberdade de consciência genuína e ancorada na Bíblia com uma liberdade indisciplinada de acreditar "em qualquer doutrina que escolherem". A liberdade que defendemos é a obrigação sagrada de submeter a consciência diretamente à Palavra de Deus, não a interpretações humanas ou consenso institucional. A verdadeira "mensagem" da igreja, que os membros afirmam, deve ser o evangelho eterno como revelado na Escritura, não a formulação falível de um resumo humano.

De facto, quando a lógica exemplificada por tais declarações institucionais é aplicada para priorizar a conformidade com um documento humano como as 28 Crenças Fundamentais sobre a fidelidade demonstrada à própria Escritura — uma realidade tornada evidente quando indivíduos, claramente sujeitos à Bíblia e ao Espírito de Profecia, enfrentam disciplina — a igreja é efetivamente desviada do seu chamado divino como movimento de Deus para funcionar como um mero clube. Esta trajetória não só espelha as próprias apostasias que historicamente elevaram a tradição humana acima da revelação divina, mas também desafia inerentemente a realidade prática da alegação da igreja de defender a Bíblia como seu único credo. Lamentavelmente, a prática observada tem demonstrado com demasiada frequência esta última tendência, fomentando um ambiente mais parecido com um clube do que com o povo de Deus guiado pelo Espírito. Convidamos, portanto, construtivamente o BRI e toda a liderança a defenderem uma liberdade de consciência profundamente enraizada e responsável apenas perante a autoridade suprema da Palavra de Deus, assegurando assim que as nossas ações se alinhem autenticamente com os nossos princípios professos.

O Nosso Caminho a Seguir: Restaurar a Escritura ao Seu Devido Lugar

Como Adventistas do Sétimo Dia, chamados a levar a mensagem final de Deus, a nossa postura deve ser inabalável. Devemos unir-nos em torno do padrão divino: A Bíblia, toda a Bíblia, e nada mais que a Bíblia, como nossa única regra de fé e prática. As nossas 28 Crenças Fundamentais encontram o seu valor apenas na medida em que refletem com precisão a Escritura e nos conduzem mais profundamente à Escritura. Elas são o mapa, derivado do Território; nunca devem ser tratadas como o próprio Território.

Devemos cultivar um ambiente onde o estudo bíblico diligente e guiado pelo Espírito seja celebrado, onde perguntas sinceras sejam bem-vindas e onde a unidade esteja enraizada no nosso compromisso partilhado de seguir a Palavra de Deus acima de tudo. Que os nossos ministros preguem a Palavra com poder extraído diretamente da sua fonte. Que cada membro seja um nobre bereano, “examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos 17:11).

Um Chamado à Ação para a Próxima Sessão da Conferência Geral

Os princípios aqui discutidos têm implicações diretas para a prática da nossa igreja. Uma questão crítica nos confronta: A nossa igreja declara oficialmente que a Bíblia é o nosso único credo, mas na prática, as 28 Crenças Fundamentais passaram a funcionar como um credo. O preâmbulo atual das 28 Crenças Fundamentais provou ser insuficiente para evitar este desvio. Temos conhecimento de casos em que membros foram excluídos da comunhão, e funcionários demitidos, primariamente porque não podiam afirmar a redação precisa de uma ou mais declarações, mesmo aceitando plenamente as Escrituras subjacentes e “as verdades sobre as quais o Espírito de Deus colocou a Sua aprovação” (22LtMs, Ms 125, 1907, par. 15).

Portanto, para abordar esta discrepância e salvaguardar a autoridade única da Bíblia, uma moção será apresentada na próxima sessão da Conferência Geral. A moção propõe anexar uma única frase do preâmbulo dos Princípios Fundamentais de 1872 ao final do preâmbulo existente das 28 Crenças Fundamentais. Esta adição visa clarificar que as 28 Crenças Fundamentais servem primariamente como uma sinopse descritiva e prevenir o seu uso indevido como um credo vinculativo e autoritativo. A frase historicamente significativa é:

"Não apresentamos isto como tendo qualquer autoridade sobre o nosso povo, nem se destina a assegurar a uniformidade entre eles, como um sistema de fé, mas é uma breve declaração do que é, e tem sido, com grande unanimidade, sustentado por eles."

Se esta moção for adotada, o preâmbulo ficaria assim:

"*Os Adventistas do Sétimo Dia aceitam a Bíblia como seu único credo e sustentam certas crenças fundamentais como sendo o ensinamento das Sagradas Escrituras. Estas crenças, conforme aqui expostas, constituem o entendimento e a expressão da igreja sobre o ensinamento da Escritura. A revisão destas declarações pode ser esperada numa Sessão da Conferência Geral quando a igreja for conduzida pelo Espírito Santo a uma compreensão mais plena da verdade bíblica ou encontrar melhor linguagem para expressar os ensinamentos da Santa Palavra de Deus. Não apresentamos isto como tendo qualquer autoridade sobre o nosso povo, nem se destina a assegurar a uniformidade entre eles, como um sistema de fé, mas é uma breve declaração do que é, e tem sido, com grande unanimidade, sustentado por eles.*"

Devemos considerar em oração as implicações de aceitar ou rejeitar esta adição. Optar por não adicionar esta frase histórica clarificadora pode sugerir um desejo coletivo, talvez inconsciente, de continuar a usar as 28 Crenças Fundamentais como um credo funcional. Se for esse o caso, então a integridade exige que revisemos a alegação inicial do preâmbulo de que “Os Adventistas do Sétimo Dia aceitam a Bíblia como seu único credo”, porque as nossas ações contradiriam as nossas palavras. Ou adotamos esta frase para salvaguardar a autoridade única da Bíblia, ou alinhamos honestamente o nosso preâmbulo com a nossa prática atual.

Abordemos, portanto, esta decisão com reflexão solene. Ou adotamos esta frase histórica para reafirmar claramente a autoridade única da Bíblia tanto em princípio como na prática, ou alinhamos honestamente o nosso preâmbulo declarado com o nosso uso real das Crenças Fundamentais. Que as nossas ações honrem a Palavra de Deus e sustentem o sagrado princípio de Sola Scriptura enquanto navegamos os momentos finais antes do retorno do nosso Senhor.

O conflito final aproxima-se. O julgamento deve começar pela casa de Deus (1 Pedro 4:17). A nossa única segurança reside em estarmos firmemente alicerçados na inabalável Palavra de Deus. Ergamos alto o estandarte de Apocalipse 14:12 – “Aqui está a paciência dos santos: aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus.” Esta fidelidade flui diretamente de permitir que a Sua Palavra, e somente a Sua Palavra, iluminada pelo Seu Espírito, seja o nosso guia supremo e todo-suficiente.